A diversidade de aplicações dos painéis de cortiça

A cortiça é a casca do sobreiro, cujo nome científico é Quercus Suber L., o que significa que é um tecido vegetal 100% natural. Basicamente, a sua forma é em colmeia com células microscópicas preenchidas com um gás idêntico ao ar e revestidas, essencialmente, por Suberina, Lenhina, Polissacáridos, Ceróides e Taninos.

Na zona do Mediterrâneo existem condições únicas para o cultivo de cortiça natural, que é a camada suberosa do sobreiro, constituindo o revestimento do seu tronco e ramos. Chuvas fortes, inverno ameno, secas curtas e solo fértil são fatores favoráveis para o crescimento do sobreiro.

Esta árvore desenvolve-se apenas em zonas específicas do Mediterrâneo Ocidental, incluindo o norte da África, sul da França, Itália, Espanha e Portugal. O sobreiro, em todo o mundo, cresce apenas numa área de 2,5 milhões de hectares. A maior área de florestas de sobreiros encontra-se em Portugal, onde, aliás, vive o mais antigo sobreiro do mundo.

São precisos 25 anos até que um tronco de sobreiro comece a produzir cortiça e a ser rentável. Cada tronco tem que atingir um perímetro de cerca de 70 cm. A partir daí a sua exploração durará aproximadamente 150 anos.

Neste primeiro descortiçamento obtém-se uma cortiça de estrutura muito irregular e com uma dureza que a torna difícil de trabalhar. É a chamada cortiça virgem que será utilizada em outras aplicações que não as rolhas (como pavimentos, painéis acústicos ou painéis de isolamento etc.), já que está longe de apresentar a qualidade necessária para esse fim.

Nove anos depois, no segundo descortiçamento, obtém-se um material com uma estrutura regular, menos duro, mas ainda impróprio para o fabrico de rolhas e a que se dá a designação de cortiça secundeira.

Apenas a partir do terceiro descortiçamento é que se obtém a cortiça com as propriedades certas para a produção de rolhas de qualidade, já que apresenta uma estrutura regular com costas e barriga lisas. É a chamada cortiça amadia ou de reprodução. A partir desta altura, o sobreiro fornecerá, de nove em nove anos, cortiça com boa qualidade durante cerca de século e meio, produzindo, em média, 15 descortiçamentos durante toda a sua vida.

Portugal é, por isso, indiscutivelmente, a pátria do sobreiro, e a quantidade de produtos em cortiça produzidos internamente ultrapassa metade da produção mundial. O cultivo de cortiça natural é realizado de acordo com regras desenvolvidas ao longo dos anos. A remoção da casca de cortiça do sobreiro é confiada apenas a trabalhadores muito experientes, o tempo de trabalho é cuidadosamente calculado para esta atividade, tendo em conta as condições meteorológicas. Os artigos em cortiça são impermeáveis à água e ao ar.

Num único centímetro cúbico da cortiça contam-se quase 40 milhões de células – cerca de 800 milhões numa só rolha de cortiça.

Todas estas características fazem com que a cortiça seja leve, praticamente impermeável a líquidos e gases, elástica, excelente isolante térmico e acústico e possui uma grande resistência ao fogo.

Painéis de cortiça

O aglomerado de cortiça expandida é um dos produtos obtidos a partir da cortiça natural, sendo equilibrado e inigualável, e, neste tipo particular de aglomerado de cortiça, não tem na sua estrutura poliuretano ou quaisquer outros aditivos ou preenchimentos. Ao submeter a cortiça granulada a altas temperaturas, o seu volume aumenta e um dos ingredientes libertados no processo – a suberina – é um aglutinante natural dos grãos expandidos. Desta forma obtemos um isolamento natural e equilibrado, com excelentes propriedades de isolamento, tanto térmicas, como acústicas, como de vibração.

A matéria-prima utilizada é a falca, tipo de cortiça proveniente das podas cíclicas dos sobreiros. Esta, depois de extraída dos ramos, é triturada e limpa de impurezas – terras, pedras, pó de cortiça, entrecasco e madeiras, sendo estes três últimos retriturados e utilizados como biomassa. Esta biomassa é utilizada para a produção de vapor de água a 400ºC. Com o granulado, depois de triturado e limpo, é cheio um autoclave o qual vai ser atravessado pelo vapor de água, injetado numa corrente ascendente. Esta corrente de vapor a alta temperatura, provoca a expansão dos grãos, a libertação das resinas internas no grão, formando-se um bloco paralelepipédico de ICB, funcionando o próprio autoclave como molde. Após o completo arrefecimento e a estabilização dimensional, seguem-se as fases de corte e de acabamento, em que os blocos são seccionados em placas e é acertada a esquadria.

Nesta fase, a cortiça está pronta para ser transformada em painéis acústicos, em painéis de isolamento ou em painéis antivibração ou outros  que servem diversos fins:

ISOLAMENTO ACÚSTICO

O isolamento de ruídos aéreos, através de painéis acústicos consiste na redução dos ruídos transmitidos no exterior, ou em salas próximas, que se propagam pela estrutura como paredes, pavimentos, coberturas, portas e janelas.

Com os painéis acústicos é possível efetuar a correção acústica, a qual consiste na redução do nível sonoro, em decibéis, de um determinado ambiente, bem como na redução do seu tempo de propagação. O aglomerado negro de cortiça expandida que é utlizado neste tipo de painéis acústicos, revela-se um excelente material para a correção sonora de alguns espaços, tais como salas de teatro, salas de aula, salas de espetáculo, salas de reuniões etc.. Estes painéis acústicos reduzem o nível sonoro por efeito de absorção, permitindo a redução dos tempos de reverberação.

Por seu turno, o isolamento de ruídos de percussão consiste na redução do nível sonoro de ruídos de impactos no chão, transmitidos ao piso imediatamente inferior. Para uma redução concreta, é preciso garantir uma total independência entre o pavimento e a estrutura do edifício. A interposição de um elemento elástico, neste caso o aglomerado negro de cortiça expandida, entre o piso e a laje, reduz a transmissão de vibrações e ruídos resultantes de impactos.

ISOLAMENTO ANTIVIBRÁTICO

Dada a sua elasticidade, o aglomerado negro de cortiça expandida possui notáveis qualidades antissísmicas, revelando-se um isolante antivibrático por excelência. Na aplicação de painéis antivibráticos é necessário ter em conta os elementos apresentados relativos à massa volúmica e espessura do aglomerado negro de cortiça expandida, em função das cargas atuantes. Estes painéis antivibráticos são sistemas normalmente utilizados para “desligar” um equipamento ou uma fonte de ruído que produz vibrações das estruturas dos edifícios.

A continuidade motivada pela existência de uma ligação rígida entre o equipamento ou a fonte provoca incómodo nos espaços próximos e os painéis antivibráticos permitem neutralizar a fonte de ruído do recetor recorrendo a materiais com elevado isolamento de vibrações por vezes associados a uma base pesada. Podem ser utilizados em pavimentos, paredes ou tetos.

ISOLAMENTO DE FACHADAS

Associado a outros componentes, tais como massa adesiva, armação e reboco, os painéis de isolamento proporcionam um fácil e moderno acabamento, mais económico e que pode ser utilizado em construções antigas e recentes.

Estes painéis de isolamento e revestimento de fachadas caracterizam-se pelo facto de economizar energia, reduzir pontes térmicas, aumentar a inércia térmica, diminuir a espessura das paredes, melhorar a impermeabilidade das paredes, diminuir o risco de condensação, aumentar a durabilidade das fachadas, reabilitar as fachadas sem incómodo para os seus ocupantes.

ISOLAMENTO DE PAREDES

Os painéis de isolamento de cortiça no isolamento de paredes duplas, que formam a caixa-de-ar, proporcionam um excelente isolamento térmico, acrescido de um adequado conforto acústico. As paredes duplas com caixa-de-ar tendem a criar problemas de humidade sérios, o que torna de vital importância a criação de uma caleira no fundo da caixa-de-ar, sobre a laje, poe forma a que a humidade tenha uma saída para o exterior e ventilando aquele espaço.

Qualquer painel dos aqui abordados é passível de adaptação caso a caso, bem com o é suscetível de ser efetuado à cor, padrão e forma pretendia. Vejam-se os exemplos a baixo:

Material 100% amigo do ambiente

Na sua produção os painéis de cortiça apenas usam vapor de água sobreaquecido. No entanto, mesmo a forma de proceder ao aquecimento é sustentável, uma vez que a caldeira a vapor é alimentada com os resíduos da produção. Quanto à aglomeração dos grânulos utiliza apenas resina da própria cortiça.

Ao utilizar painéis de cortiça em casa, está a proteger o planeta, já que, para além de ser um produto 100% natural, está a defender o produto em comparação a outros materiais prejudiciais para o meio ambiente e que não terão a capacidade de serem reutilizáveis ou recicláveis. Por essa razão, utilizando os painéis de cortiça está a demonstrar ser alguém preocupado com o meio ambiente e que deseja o melhor do melhor para o isolamento da sua habitação ou espaço comercial.

No final do período de utilização, muitas vezes imposto pelo fim de vida útil do próprio edifício ou obra, quando seja viável a recolha integral dos painéis de cortiça, estes podem vir a ser reutilizados em aplicações idênticas, uma vez que em recolhas de edifícios com mais de 50 anos mostraram que após esse período de tempo, o aspeto e as propriedades essenciais dos painéis de cortiça se mantêm inalteradas.

No caso em que tal não seja possível promove-se a sua trituração, obtendo-se um regranulado que tal como os regranulados limpos se destina a novas aplicações em isolamento térmico e acústico ou a ser utilizado como inerte para o fabrico de betões e argamassas leves.

Caso não encontre no site um painel de cortiça que preencha as suas necessidades, não hesite em contactar-nos por forma a ser possível encontrarmos uma solução à sua medida.

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